O mágico de Oz: seguindo pela estrada de tijolos amarelos

Por Fernanda Correia

O livro O maravilhoso mágico de Oz foi publicado em 1900 por L. Frank Baum e foi um sucesso instantâneo. Logo depois de sua publicação, em 1902, ele já foi adaptado para os palcos e firmando o título O mágico de Oz tanto para a peça quanto para o livro. O sucesso de ambos fez com que Baum escrevesse mais 13 livros sobre a terra de Oz e as diferentes aventuras que os personagens viveram por lá.

Em português, apenas o primeiro e mais conhecido mundialmente volume teve diversas edições. O mágico de Oz já teve edição capa dura, quadrinhos, livro pop-up, ilustrado, de bolso, entre outros. Atualmente é possível encontrar a coleção completa dividida em dois boxes.

O mágico de Oz conta a história de Dorothy, uma menina que vive na fazenda de seus tios no Kansas e, com a passagem de um tornado pelo lugar, acaba sendo levada junto com seu cachorrinho de estimação para a fantástica terra de Oz. Ela havia se escondido em seu quarto com o animal e a casa toda é levada pelo tornado.

A construção acaba caindo sobre a Bruxa Má do Leste, matando-a e livrando a Terra dos Munchkins de sua assombração.

Os Munchkins são seres diminutos que viviam aterrorizados pela Bruxa má do Leste. Dorothy não compreende muito bem o que aconteceu e é recebida pela Bruxa boa do Norte, que não sabe muito explicar como Dorothy chegou ali, por isso indica que ela deveria ir até a Cidade das Esmeraldas falar com o Mágico de Oz que comanda a terra mágica de Oz e conseguir voltar para casa. Para isso, ela só precisa seguir a estrada de tijolos amarelos e leva os sapatos mágicos da bruxa.

No caminho, Dorothy encontra aqueles que serão seus companheiros de viagem: o Espantalho, que gostaria de ter um cérebro; o Homem de Lata, que gostaria de ter um coração; e o Leão covarde, que gostaria de fazer jus à sua espécie e ser mais corajoso. Todos vão para a Cidade das Esmeraldas pedir ao mágico tais presentes.

No livro, eles descobrem depois que a Cidade das Esmeraldas na verdade não é feita de esmeraldas, mas pintada inteiramente de braco e é por isso que todos são obrigados a utilizar óculos de lentes verdes antes de entrar na cidade.

O mágico os recebe e propõe um acordo: eles devem eliminar a sua inimiga, a Bruxa Má do Oeste, irmã da Bruxa Má do Leste, que escraviza o país dos Winkies e possui macacos voadores que servem de sentinelas e espiões para ela. Um balde d’água é o suficiente para se livrarem dela e levarem a vassoura como prova.

Quando o grupo chega para cobrar o mágico, descobrem que ele é um sujeito sem poderes, escondido atrás de uma cortina. Quem realmente aparece para ajudá-los é Glinda, a bruxa boa do Sul, e explica para Dorothy que os sapatos que ela pegou são tudo o que ela precisa para ir para casa.

Os livros foram originalmente ilustrados por W.W. Denslow e as imagens estão tão ligadas à história que o ilustrador dividia os direitos autorais com o Baum.

As histórias são bastante infantis e não aprofundam muito na construção dos personagens, principalmente a origem das Bruxas e porque cada uma delas ocupa um lugar no mapa.

A história foi adaptada diversas vezes, a primeira vez para o cinema por um produtora do próprio Baum, mas tornou-se icônica e entrou para o imaginário popular com a adaptação de Hollywood lançada em 1939. O mágico de Oz, foi o primeiro filme a cores e toma diversas liberdades a respeito do livro.

Dorothy encontra pela fazenda os trabalhadores de seus tios e a vizinha, que não suporta Totó, o cachorrinho. Todos serão personagens em Oz, sendo a vizinha a Bruxa Má do Oeste. Toda a sequência no Kansas é filmada em tom de sépia e somente quando Dorothy chega a Oz as cores tomam conta.

A filmagem pintou o cenário nos tons de sépia e não vemos Dorothy quando ela abre a porta, justamente para fazer o efeito de que o mundo real não possui cor, apenas Oz. É uma explosão de cores, com muita música e dança. Dorothy é recebida por Glinda, que funciona como as duas personagens do livro.

Depois de viver toda a aventura em Oz, Dorothy bate os calcanhares calçados nos sapatos mágicos três vezes e diz para onde quer ir, acordando em seu quarto, sem deixar claro se sonhou ou se realmente esteve no mundo de Oz e reconhece os companheiros de aventura nos funcionários de seu tio.

Além do filme, muitas outras adaptações foram feitas. De versões em quadrinhos e obras audiovisuais, assim como os personagens sendo utilizados e aparecendo em outras histórias, principalmente depois que o livro entrou em domínio público. Uma das participações de apenas personagens há a presença da Bruxa Má do Oeste no seriado Once Upon a Time, que mesclava diversos contos de fada em uma única história.

Também para a televisão, a série Tin Man imagina uma descendente de Dorothy retornando a Oz e ajudando os antigos companheiros a resolver os problemas do lugar.

DG, que remete ao nome Dorothy Gale, é vivida por Zooey Deschanel e acaba sendo arrastada para terra de Oz, onde ela vai descobrir que são seus verdadeiros pais.

Talvez a mais famosa variação, além de Wicked, seja o filme da Disney Oz – Mágico e Poderoso, com James Franco e que procura contar a origem do Mágico e das Bruxas.

O longa segue a ideia dos livros de que o Mágico é na verdade Oscar Diggs, um sujeito que trabalhava em um circo itinerante e acaba arrastado para Oz ao viajar de balão. 

Há muitas outras adaptações, sendo essas apenas algumas, mas Wicked com certeza foi a que tomou proporções maiores e muitas pessoas nem sabem que está relacionado à O mágico de Oz. Mas Wicked só se tornou um fenômeno depois que foi adaptado para um musical, em momento específico da Broadway.


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Fernanda Correia é doutora em literatura tolkieniana no Mackenzie-SP e a maior fã de Wicked possível

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