Desafiando a gravidade e as expectativas: o fenômeno Wicked 

Por Fernanda Correia

A recepção crítica de Wicked não foi das mais favoráveis. Aqueles que amavam O mágico de Oz não ficaram muito contentes com as mudanças apresentadas e alguns fãs da obra de Maguire ficaram confusos com a falta da trama política. O Hollywood Reporter lembra que o musical foi chamado de “chato, colorido e cheio demais”. As primeiras previsões era de que chegaria no máximo a 14 milhões de dólares em vendas de ingresso e hoje já alcançou 2 bilhões.

No entanto, Wicked foi indicado a 10 prêmios Tony, o “Oscar” do teatro norte-americano, sendo premiado com melhor cenário, melhor figurino e melhor atriz para Idina Menzel, a Elphaba original. Idina reprisou o papel na estreia da peça no West End de Londres. Ao todo, o musical teve diversas versões réplica pelo mundo, ou seja, exatamente iguais à da Broadway, e algumas versões não réplica, sendo duas brasileiras e uma delas exportada para montagens em outros países.

Aos poucos, Wicked foi formando a sua base de fãs e conquistou seu espaço na história dos musicais. Mas foi em 2009, com o seriado Glee, que a peça tornou-se um fenômeno. A série contava a história de um grupo de alunos que não se encaixava na escola e sofriam bullying entrando para o coral da escola e tornando-se campeões. Em cada episódio diversas músicas que estavam no topo das paradas eram apresentadas, assim como clássicos do teatro musical.

No episódio 9 da primeira temporada, dois personagens fazem um duelo musical para decidir quem seria o solista da apresentação e realizam a competição cantando duas versões de “Defying Gravity”.

Posteriormente, Kristin Chenoweth, a Glinda original, e Idina Menzel, a Elphaba original, fizeram participações no seriado, ampliando ainda mais a conexão do público da série com o musical. Com isso, audiências de países que não tiveram montagens de Wicked tiveram contato com o musical e ampliaram a fanbase. As atrizes da Broadway muitas vezes precisam de seguranças devido ao assédio.

Assim, em 2016 houve a primeira montagem de Wicked no Brasil. A temporada foi um sucesso absoluto, com sessões esgotadas e um grupo de fãs se formando em torno das atrizes que interpretaram Elphaba e Glinda, Myra Ruiz e Fabi Bang.

Por conta do sucesso, duas outras montagens foram produzidas, dessa vez não réplica, ou seja, podendo tomar liberdades criativas nos figurinos e nos cenários. Por conta disso, o voo de Elphaba foi atualizado e a atriz voa pela plateia, cantando diretamente sobre o público.

Apesar do sucesso nos palcos e de comemorações por conta do tempo em cartaz da peça, em 2023 houve um especial na televisão norte americana comemorando os 20 anos da peça, havia uma certa reticência em levar a história de Elphaba e Glinda para o cinema.

Os direitos para a adaptação cinematográfica da peça já haviam sido vendidos há algum tempo, mas Hollywood tinha medo de que o filme pudesse não ser tão rentável quanto a peça. Musicais, quando não são filmes infantis da Disney, tendem a não serem bem recebidos pelo público geral e pelos críticos.

A Universal decidiu fazer então a versão de Cats, um musical com mais tempo de cartaz e mais conhecido. No entanto, o filme foi um grande fracasso, mesmo tendo Taylor Swift no elenco, uma clara tentativa de atrair o público da cantora para o cinema. Por conta disso, o projeto de um filme de Wicked quase foi descontinuado.

Somente quando Jon M. Chu, diretor de Crazy Rich Asians, dirigiu a elogiada adaptação de In the Heights e recebeu o aval de Lin-Manuel Miranda que o estúdio decidiu dar uma nova chance à adaptação. Chu é um grande fã das obras originais e um consumidor de teatro musical. Suas produções mostram como ele entende as obras que adapta.

In the Heights teve o lançamento prejudicado pela pandemia e interferência do estúdio que fez com que o tempo fosse reduzido, mas seus diálogos com os musicais tradicionais, especialmente aqueles que foram para o cinema, fizeram com que ele se tornasse o nome para a direção.

Wicked foi um sucesso tão grande que outras adaptações de musicais já foram anunciadas. No Oscar 2025, a produção foi indicada a 10 Oscar, incluindo Melhor Atriz para Cynthia Erivo e Melhor filme, levando as estatuetas de Design de Produção e Design de figurino. Apesar das indicações, é nítido que o estúdio aposta alto é na segunda parte: haverá duas canções originais, uma para Ariana Grande e outra para Cynthia Erivo, aumentando as categorias em que poderá concorrer.


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Fernanda Correia é doutora em literatura tolkieniana no Mackenzie-SP e a maior fã de Wicked possível

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