Revista Empire e “Os Anéis de Poder”| “O mundo está mudado”

Reportagem da Empire Magazine por Al Horner

Tradução Cristina Casagrande

Assim disse uma vez uma sábia Elfa chamada Galadriel[1]. E ela estava certa, porque, com a chegada de O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder, a maior produção televisiva de todos os tempos, a Terra-média está ganhado uma retomada radical. A partir de novas terras para novos perigos, seus criadores nos contam por que devemos aguentar firme

Agora, quando ouvimos essa história antes?

Dois heróis improváveis. Muito longe do Condado tranquilo que chamam de lar. O destino da Terra-média em suas mãos. Uma perigosa jornada adiante. “Nós realmente nos sentimos como Frodo e Sam recebendo o Anel”, ri JD Payne recordando o dia em que ele e Patrick McKay — amigos de infância em McLean, Virginia — receberam a notícia de que seriam confiados a escrever um novo capítulo na maior mitologia de fantasia que o mundo já conheceu. Como os heroicos Hobbits do épico de J.R.R. Tolkien, e depois nas aclamadas adaptações fílmicas de Peter Jackson, eles foram escolhas surpreendentes para tal demanda. “Havia tantas pessoas que apostaram nessa produção, com currículos que, no papel, eram mais adequadas para uma empreitada dessa magnitude”, admite McKay, encarando a Palantír[2]: pois ele e Payne, com apenas alguns créditos assinados, como roteiristas revisores de Star Trek: Sem Fronteiras e Jungle Cruise, embarcaram nessa missão como relativamente desconhecidos. E como Samwise e Frodo, esses showrunners completariam a demanda sob um Olho de Sauron penetrante, intenso e vigilante.

O Senhor dos Anéis: Os Anéis de Poder tem um bom argumento para ser a maior e mais aguardada série de TV de todos os tempos. Sua primeira temporada sozinha custou para a Amazon, colocando a série como o carro-chefe do Prime Video, US$ 250 milhões pelos direitos, e assombrosos US$ 462 milhões para a produção (menos um grande desconto nos impostos), de acordo com os relatórios. Pela primeira vez nas telas, ela cria novos personagens e eventos na Terra-média, em vez de simplesmente traduzir a prosa de Tolkien. Nas primeiras 24 horas depois da estreia online, o teaser-trailer da série foi assistido pelo número recorde de 257 milhões de visualizações. Patamares intrigantes estão maiores do que os picos de Caradhras: essa, no fim das contas, é a série que promete escalar uma continuidade de guerras, desde pequenos conflitos a uma batalha completa no Abismo de Helm, reunindo fãs do mais famoso reino da fantasia. Não é à toa que Payne e McKay — que, a propósito, são alguns bons centímetros mais altos que seus amigos Hobbits na analogia — têm se sentido como Sam e Frodo. Um grande peso está sobre seus ombros, uma oportunidade preciosa sob seus pés.

Mas as similaridades entre a jornada dos Hobbits até o Monte da Perdição e o caminho para fazer Os Anéis de Poder é onde a semelhança com os filmes de Jackson termina. “Nós não quisemos fazer a versão de O Senhor dos Anéis para TV”, diz McKay. “Nós quisemos fazer uma história na Terra-média que que merecesse seu próprio espaço na estante ao lado dos romances e dos filmes”. Payne concorda: “nós tínhamos de assegurar que estávamos trazendo algo novo e expandindo o mapa. Não estávamos interessados em uma sequência ou um prequel, ou um rearranjo ou nostalgia. A série tinha de se manter sobre seus próprios pés, como algo que soasse fidedigno — mas também como algo próprio”.

Elrond (Robert Aramayo)| Empire Magazine

Mais fácil dizer do que fazer. Os Anéis de Poder é uma produção que tem a tarefa de usar as notas dos apêndices de O Retorno do Rei — pedaços do pano de fundo da história que o autor selecionou para não incluir no texto principal de seu livro, porque isso iria atrasar a história — e costurá-las em uma magia prestigiosa de TV. Isso não pode tirar as histórias de O Senhor dos Anéis que já vimos nas telas — mas deve capturar o calor e a emoção da marca registrada de Tolkien que Jackson configurou tão bem. Se bem-sucedidos, Payne, McKay e a sociedade de sua equipe de filmagem vão entrar para a lenda em setembro. Se falharem com a Terra-média — ou, pelo menos, as esperanças dos fãs de um ingresso fascinante a uma das maiores histórias de feitiçaria e espadas já contadas — irão cair na escuridão. Como, pelas barbas de Durin, você equilibra tudo isso enquanto constrói um retorno à Terra-média?

O truque, ao que parece, é não retornar para a Terra-média. Pelo menos, não para a que você conhece.

Para aqueles que estão mais perdidos que o Hobbit em dia de mudança[3], uma curta explicação da história. Os acontecimentos que retratam O Senhor dos Anéis são a ponta do iceberg da história da Terra-média, explica Payne: “o legendário de Tolkien é uma enorme tapeçaria que se estende por nove mil anos”. No princípio, era a Primeira Era: séculos de derramamento de sangue entre os Elfos batalhando contra Morgoth, o primeiro Senhor do Escuro. A Terceira Era é a explorada em O Senhor dos Anéis, a Guerra do Anel e todos os eventos dos filmes de Jackson. Bem no meio, está a Segunda Era, uma época que contém “algumas das maiores histórias do mito de Tolkien”, continua Payne. “É a história que muitos fãs quiseram ver aflorar, mas que até então só foi contada em sussurros”. Os Anéis de Poder pega esses sussurros e os impulsiona em um ensurdecedor grito de guerra. Situada séculos antes das aventuras de Bilbo Bolseiro, a série deseja passar cinco temporadas explorando como Sauron se ergueu, e como a mística ilha de Númenor caiu — e a forja dos 19 anéis [4], que iriam, no fim das contas, moldar o destino da Terra-média.

É uma época muito interessante, diz o diretor de Jurassic World: Reino Ameaçado, J.A. Bayona, que comanda os dois primeiros episódios. “A guerra terminou, mas a paz ainda não se estabeleceu. Há personagens que têm a intuição de que o mal ainda não acabou. Eles enfrentam muita contradição. Através desses mundos diferentes, há personagens lidando com o impacto da guerra e a suspeita de que há mais por vir.”

No coração de um grande elenco unido está Galadriel, a etérea Senhora do Palácio Dourado, interpretada por Cate Blanchett na trilogia de Peter Jackson. Aqui ela é uma guerreira faminta, sem medo de combater uma besta da neve ou outra e se envolver na ação. “É como estar numa viagem da escola! Eu tenho de nadar, cavalgar, escalar…”, conta Morfydd Clark, a estrela galesa do terror britânico Saint Maud, quem ela interpreta. “Galadriel é lendária. O próprio Tolkien é lendário!”, ri a atriz de 33 anos. Essa versão de Galadriel “ainda tem muito o que aprender”, diz. “Eu tive de encontrar um equilíbrio entre alguém que tem um elemento do eterno, mas ainda não o viu totalmente. Não espere pela mesma personagem que você vai conhecer anos mais tarde”.

“Os Anéis de Poder”| Empire Magazine

O mesmo pode ser dito de outros nomes conhecidos em Os Anéis de Poder. Elrond, o Meio-Elfo, ficou conhecido na trilogia de Peter Jackson, um líder élfico sábio, mas cansado do mundo, interpretado por Hugo Weaving. Em Os Anéis de Poder, uma versão dele mais nova da que conhecemos, de mais ou menos 1000 anos de idade (um Millenial de fato), é “muito mais amargo, com uma disposição de pisar no desconhecido”, diz o homem que o interpreta, outrora iniciante em Game of Thrones, Robert Aramayo.

Também diferente é Gil-galad, o último Alto Rei dos Noldor nos últimos anos, um pouco menos seguro de si, um governante menos experiente da Segunda Era. “Rei dos Elfos, cara! Não é muito legal isso?”, exclama o aclamado ator de teatro Benjamin Walker, descrevendo o guerreiro e governante de longo reinado. “Durante o tempo da guerra, ele mostrou a que veio e, durante o tempo de paz, ele está lutando para manter a paz. Frequentemente isso quer dizer usar pessoas para obter vantagem própria, mas — da mesma forma que gostaríamos que os políticos da nossa realidade fossem — ele luta para manifestar o melhor das pessoas. Essa Sociedade de favoritos atravessou a Terra-média em Os Anéis de Poder, encontrando personagens e eventos ou baseados nas notas dos apêndices ou inteiramente inventados. Num campo mais antigo, há um grupo de Pés-Peludos, ancestrais dos Hobbits. Eles são conduzidos por um ancião chamado Sadoc, interpretado por Lenny Henry e caracterizado por outra de espírito mais livre chamada Nori, interpretada pela novata australiana Markella Kavenagh. “Ela é muito inquisitiva e resoluta”, Kavenagh diz sobre sua personagem, sugerindo que ela está dividida entre a dedicação à sua família e à sua fome de ganhar o mundo por caminhos que melhorem o estilo de vida dos Pés-peludos. “Ela espera por aventura, e isso, às vezes, a torna uma encrenqueira, para o bem ou para o mal”.

Lenny Henry, “deve ser o Hobbit mais alto da história”, ri (na vida real, ele tem 1,90m). Nós somos de uma tribo nômade, que se muda de acordo com o clima e a fertilidade das plantações. Temos grandes caravanas em rodas de madeiras e somos muito bons em nos escondermos, porque os humanos são muito maiores que nós e trazem problemas”, diz ele brilhando um pouco da luz da sua bondosa comunidade. “Nós somos os tradicionais carinhas de Tolkien. Tradicionalmente, as pessoas pequenas nesse mundo proporcionam comédia, mas também se tornam incrivelmente corajosas. Vocês verão a gente percorrer uma grande gama de emoções e ações nessa aventura.”

O termo “Pé-peludo” aparece exatamente sete vezes nos textos de Tolkien. Como, então, Payne e Mckay sonharam com todos os detalhes necessários para compor a força motriz de Anéis de Poder? “É como se Tolkien pusesse algumas estrelas no céu e deixasse que distinguíssemos as constelações”, explica Payne de forma poética. Em suas cartas, [particularmente uma para o seu editor], Tolkien falou sobre o desejo de criar uma mitologia que deixasse “espaço para outras mentes e mãos, lidando com a tinta, música e drama”. Estamos fazendo o que Tolkien queria. Contanto que sentíssemos que cada invenção nossa fosse verdadeira em sua essência, nós sabíamos que estávamos no caminho certo.”

Gil-galad, Benjamin Walker| Empire Magazine

Assim como personagens que são novos e velhos personagens que soam novos, Os Anéis de Poder também embarca em lugares que jamais vimos antes nas interações das telas da Terra-média. Ou de um jeito que nunca vimos antes. A produção traz cenários do reino anânico de Moria — anos mais tarde, uma mina abandonada, mas na Segunda Era, o lar próspero de outros dois personagens chaves, o príncipe e a princesa anãos Durin IV e Disa, governantes do reino subterrâneo de Kazhad-dûm. “É diferente de tudo que já vimos”, garante Sophia Nomvete, que interpreta Disa. É muito espetacular”.  

“Diferente de tudo o que já vimos” é uma frase recorrente quando se fala daqueles que estão envolvidos na série — mesmo comparado com os filmes de sucesso dos anos 2000, que levaram 17 Oscars. Peter Jackson não teve nenhum envolvimento e ainda não conheceu os showrunners. “Qualquer um que se aproximasse de O Senhor dos Anéis nas telas estaria errado de não pensar o quão maravilhosamente [Jackson] conseguiu acertar”, diz McKay. “Mas somos admiradores de longe, é isso. Os Anéis de Poder não quer competir com ele”.

Um exemplo? As ações, que vão encontrar novos caminhos para emocionar, de modo diferente da trilogia de Jackson. “O cerco no Abismo de Helm é tão icônico e incrível que era tipo “Que coisa diferente que a gente pode fazer que ainda parece Terra-média mas é único para a história?”, questiona Payne. “O show tem bastante ação — mais do que qualquer programa de televisão ou serviço de streaming já viu. Cada episódio tem um conjunto de peças, criaturas, batalhas e lutas de braço para matar”, acrescenta McKay. “Mas em vez de ter dez mil orques lutando contra dez mil homens, que tal ter um Orque na sua frente, na sua cozinha? Que tal tentar matar um Orque quando você nunca matou um antes?”

Não é apenas em outras interações da Terra-média que Os Anéis de Poder busca se diferenciar. Essa produção tenta superar tudo o que a TV já alcançou antes disso. “Os Anéis de Poder não é televisão”, diz Bayona, tão sério quanto Aragorn investindo contra o Portão Negro. “É uma nova forma que estamos criando aqui”.

Quando uma série de TV não é uma série de TV? Quando é um filme de 50 horas. “Foi bem assim que abordamos Os Anéis de Poder”, diz McKay explicando como — diferente de todas as outras produções para TV, que sobrevivem de temporada em temporada baseadas em estimativas — a Amazon já comissionou cinco temporadas, que a dupla já mapeou totalmente. “Nós já sabemos como vai ser a última cena do último episódio”, provoca Payne. “Os direitos que a Amazon comprou foram para um programa de 50 horas. Eles sabiam desde o início que aquele era o tamanho da tela — essa seria uma grande história, com um começo, meio e fim claros.”

A atenção aos detalhes esbanjada nessa visão da Terra-média certamente parece superar a maioria dos programas de TV. “Nós mergulhamos em cavernas e ficamos em geleiras para fazer Os Anéis de Poder”, diz o produtor Ron Ames, que já fez de tudo um pouco, desde Avatar a Vingadores: a Era de Ultron, e credita a série como provavelmente a maior coisa que ele já se envolveu. Durante as gravações da série na Nova Zelândia (eles se mudarão para o Reino Unido na segunda temporada), “nós desejamos que todas as raças de todas as partes da Terra-média fossem únicas e diferentes umas das outras, então tivemos de olhar por todas as referências culturais de cada uma”, diz ele. “Eu amo o Reino dos Anãos, por exemplo. Como eles conseguiram construir uma sociedade embaixo da terra? Como cultivavam os alimentos? Como trocavam o ar? Como canalizavam a água, e como a luz entrava?” Para descobrir, o time criativo por traz da produção explorou as cavernas por toda a Nova Zelândia. Para outra cena, envolvendo um confronto com um trol-das-neves, eles pegaram helicópteros para visitar uma queda d’água congelada que os ajudaria a mapear a cena.

Os sets construídos para os dois anos de gravação da temporada 1 eram enormes, uma vez que a série procurou investir nos efeitos práticos e não na magia da computação. A sensação de ser capaz de caminhar por essas locações totalmente realistas era surreal”, diz Payne. Pisando em Lindon [no refúgio élfico] pela primeira vez, e vendo todos esses personagens completamente caracterizados — de novo e de novo, você tinha esse sentimento de estar sendo transportado”. Morfydd Clark, declara: “não estava consciente de o quanto a minha imaginação era limitada até eu pisar naquele set. Era como ‘Oh, meu Deus, eu tenho a imaginação de um saco de papel comparado a isso!”

É isso que o maior orçamento para uma única temporada de TV compra, então? “Bem…”, ri Payne, sem confirmar ou negar os números relatados. “Achamos que é importante manter o orçamento num contexto. De fato, essa temporada é um filme de oito horas. Essa é a duração de três filmes da Marvel, feita no cronograma de dois, para o orçamento de um. Olhe pelo contexto do que realmente está sendo produzido e você poderia dizer que é uma pechincha.”

Talvez o orçamento para Os Anéis de Poder tenha se tornado enorme. Os tempos de guerra, no fim das contas, pedem por uma artilharia reforçada. A produção vai competir, nessa primavera, com outra série prequel, inspirada na Terra-média, mas agora é um competidor de sua própria coroa de fantasia: Game of Thrones, o spin-off Casa do Dragão. Nos oito anos em que a criação de Tolkien estava dormindo, desde O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos, os contos de Westeros de George R.R. Martin enviaram o gênero de fantasia para TV para um território mais sangrento e sombrio. Será que nada da abordagem de Payne e McKay mudou por conta daquele cenário alterado?

“Você pode se comparar o tempo todo, mas um dos nossos mantras era ‘volte para o material de origem’. O que Tolkien faria?”, diz McKay.  “Alguns desses outros concorrentes tocam uma oitava lindamente,” diz McKay. “Mas Tolkien tocava todas as notas no piano. Ele tinha a variedade de tons. Tem o charme, a amizade, o humor, pelos quais Harry Potter é tão amado — mas existe a sofisticação, a política, a história, a mitologia e profundidade também. Então, para nós, tratava-se de ir mais fundo naquilo que fazemos, em vez de nos preocuparmos com o que os outros estão fazendo.”

Há escuridão em Os Anéis de Poder, porém, não se engane. “Estamos lidando com um dos maiores vilões que já foram criados em Sauron”, diz Payne. “E uma das figuras centrais na história é Celebrimbor [Charles Edwards]. Ele é um elfo ferreiro que foi manipulado para ajudar a criar Os Anéis de Poder. Estamos animados para trazê-lo para a Terra-média. Ele é muito misterioso”.

A melancolia é cultivada em O Senhor dos Anéis, as primeiras sementes dela nasceram quando Tolkien lutava na Batalha do Somme, na Primeira Guerra. “Mas parte do que torna a história tão especial”, diz McKay “é o otimismo delas e o humanismo afirmativo sobre a vida”. Payne acena com a cabeça, concordando “O Senhor dos Anéis não escapa da escuridão. Ele te leva para os degraus de Cirith Ungol, na toca da Laracna, onde os amigos traem-se entre si, e os personagens são arrastados para Mordor. Você passa por uma experiência angustiante. Mas no fim, tem sempre uma estrela no céu que diz ‘continue’. Nós desejamos colocar esse espírito na série.”

Lenny Henry sente que o impacto do show pode ser profundo. Crescido nas Midlands Ocidentais, a um passo de onde Tolkien foi criado, ele amava fantasia, mas se sentia alienado pela exclusão das pessoas de cor. O elenco mais diverso em Os Anéis de Poder oferece um traço bem-vindo para o gênero, diz ele. “Se você não pode se ver ali, não pode estar ali. Finalmente, nessa produção, as crianças verão pessoas de cor ocupando um espaço no centro da série de fantasia. Nós somos muito visíveis nesse mundo, e isso é muito animador”. Morfydd Clark também tem aspirações altas. Ela leu O Hobbit no sexto ano da escola e se lembra da tração transportadora do Condado e das cores vivas da prosa de Tolkien. “Era o primeiro livro adulto que li. Sendo galesa, eu fui levada para os mitos e a magia, então isso falou comigo”, diz. Quando a série chegar às telas em setembro, ela espera que “alguém de 12 anos se sinta como eu me senti quando eu li O Hobbit pela primeira vez — inspirada e empolgada”, diz. “Eu quero que as pessoas que assistam à série queiram fazer parte de nosso mundo”.

Payne e McKay sorriem para essa perspectiva. No fim, é para isso que eles estão aqui — para apresentar aos demais um mundo que se tornou quase uma obsessão de vida para cada um deles (McKay descobriu os livros no sétimo ano, enquanto Payne ficou extasiado por esse universo depois de assistir aos filmes de Peter Jackson). “A pressão nos deixaria loucos se não sentíssemos que havia uma história aqui que não viesse da gente. Vem de um lugar maior”, diz McKay. “Veio de Tolkien e nós somos apenas os regentes disso. Nós acreditamos nessas ideias tão profundamente porque elas não são nossas. Nós somos guardiões, na melhor das hipóteses.”

A dupla toma a analogia de Frodo e Sam para uma última volta antes de partir, para explicar a esperança deles para o futuro da sua desafiadora e diferente visão sobre Tolkien. “Agora, parece que estamos fazendo nosso trajeto para cima da montanha. A pergunta tem sido: e quando chegarmos ao topo?, diz McKay. “Agora eu percebo que é quando a aventura realmente começa”.

Os Anéis de Poder nos leva a uma Terra-média diferente e é do jeito que seus criadores gostam. Agora, quando ouvimos essa história antes? A resposta é: não ouvimos.


Créditos das imagens: Empire Magazine


Notas da tradução

[1] Galadriel diz isso no prólogo do filme “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”, de Peter Jackson. No livro, essas palavras são parecidas com uma fala de Barbárvore no final de O Retorno do Rei, no capítulo “Muitas Despedidas”.

[2] No original, “addressing to the Mûmakil in the room”. Aqui o repórter faz um trocadilho com a expressão idiomática em inglês “the elephant in the room”, que significa uma verdade dura de encarar. Mûmakil, por sua vez, é um “olifante”, uma espécie de animal gigante no legendário tolkieniano.

[3] Aqui mais um trocadilho com expressão idiomática. No original: “don’t know your Orcs from you elbows”, em referência à “not know your arse from your elbow”, um modo ofensivo de dizer que alguém está totalmente por fora do assunto, mais ou menos equivalente a “mais perdido que cachorro em dia de mudança” em português.

[4] Foram forjados muitos outros anéis mágicos, além dos 19 mais o Um Anel, citados no poema do Anel, em O Senhor dos Anéis. Esperamos que, além dos 19 conhecidos (entre os anéis élficos, anânicos e humanos) apareça na série a forja do Um Anel também.


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Cristina Casagrande é tradutora e doutoranda na Universidade de São Paulo e autora de A Amizade em O Senhor dos Anéis.

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